M de Manifesto é uma experiência artística que cruza música, teatro, movimento e palavra numa sucessão de quadros performativos que procuram suscitar perguntas sobre a condição de ser mulher/feminina.

M de Manifesto encontra-se atualmente em fase avançada de criação. Entre residências artísticas, recolha de testemunhos, experiências performativas e momentos de reflexão coletiva, a nova criação da CMT tem vindo a ganhar forma como um espaço simultaneamente íntimo e político, sensível e questionador, onde diferentes vozes femininas se cruzam para pensar o lugar da Mulher no mundo contemporâneo.

O ponto de partida do processo criativo de M de Manifesto encontra-se na escuta. A imersão em histórias reais, textos fundamentais do pensamento feminista contemporâneo, poesia, dados estatísticos e materiais documentais ajudam a enquadrar artisticamente as questões levantadas pelo espetáculo.

Através de uma abordagem multidisciplinar que cruza música, teatro, movimento e palavra, constrói-se uma sucessão de quadros performativos que convocam diferentes dimensões da experiência feminina — da infância à maternidade, da invisibilidade à resistência, dos papéis sociais impostos à possibilidade de os desconstruir. Há perguntas que regressam continuamente ao processo: Que vozes continuam por ouvir? Que silêncios permanecem normalizados? O que herdamos, repetimos ou tentamos transformar? Mais do que procurar respostas definitivas, o espetáculo assume-se como um espaço de escuta ativa, onde coexistem múltiplas perspetivas, tensões e contradições.

A estreia de M de Manifesto acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro, na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. A primeira apresentação será dirigida aos alunos do ensino secundário do concelho, reforçando a dimensão pedagógica e de mediação do projeto, enquanto a sessão de dia 26 será aberta ao público em geral. Em outubro, o espetáculo seguirá para o Teatro Narciso Ferreira e, durante o mês de novembro, passará ainda por Albergaria-a-Velha e Loulé. No segundo semestre de 2027 passará por Montemor-o-Novo.

À semelhança de outras criações da CMT, como A Liberdade a Passar Por Aqui e A Canção da Terra, M de Manifesto é um espetáculo de música-teatral que é simultaneamente um concerto, uma peça de teatro e uma instalação performativa. Embora exista uma preocupação particular em aproximar o espetáculo dos alunos do ensino secundário, pela urgência dos temas abordados e pela importância do diálogo com públicos jovens, trata-se de uma criação pensada para o grande palco, para um público a partir dos 12 anos e para todas as pessoas dispostas a refletir sobre questões de identidade, desigualdade, memória e representação. Afinal, pensar a condição da mulher é pensar a sociedade como um todo.

M de Manifesto procura continuar um trabalho de “afinação de pessoas, pássaros e flores”, isto é, de construir objetos artísticos que procurem recentrar a escuta, a empatia e a relação humana no espaço público. Em M de Manifesto, essa afinação passa pela tentativa de criar espaço para vozes muitas vezes interrompidas, fragmentadas ou silenciadas, vozes que, reunidas, formam um manifesto coletivo ainda em construção.

M de Manifesto não procura oferecer respostas definitivas. Procura antes abrir espaço para a dúvida, para a empatia e para o encontro.

M de Maria.
M de Mulher.
M de Manifesto.