Luzes! Câmara! E… Improvisação! Assim se passou a semana de 27 de julho a 1 de agosto da Formação Imersiva em Arte para a Infância i.Lab #2026 em Loulé.

Entre rostos conhecidos e desconhecidos, um propósito partilhado tem o poder de transformar encontros em ligações genuínas. E é aí que florescem momentos únicos e emoções bonitas, daquelas que se sentem muito mais do que se conseguem dizer. E para quê insistir nas palavras? Há sentimentos que habitam territórios onde a linguagem não chega. É nesse espaço, entre o que se vê e o que se sente, entre o concreto e o subjetivo, que as emoções ganham verdadeiramente voz. E voam, como uma borboleta, de forma errática e aleatória, mas quando pousam, observam em volta a beleza que as rodeia e preenchem de cores a sala do Auditório do Solar da Música Nova.

A Formação Imersiva para a Infância i.Lab #2026, mais do que uma semana em Loulé, foi um espaço, acontecimento, vivência em que as pessoas se metamorfoseiam, um “exercício de Humanidade sem Idade”, de “Inspiração e Transformação”. Ao longo das sessões, diferentes traços emergiam, no silêncio ou no som, na organização ou na confusão, criando-se massas de corpos e vozes, máquinas industriais, danças e ventanias num caos combinado, num ser sensível e delicado.

Todos os momentos, desde Voz e Corpo com Jorge Parente, a Improvisação Livre com Chefa Alonso, O Risco do Gesto com Rita Roberto, Brincar à Improvisação com Inês Rodrigues da Silva ou Okshmauzz! Improvisar com gibberish com Helena Rodrigues, culminaram em experiências coletivas e aprendizagens individuais ricas onde a partilha encontrou terreno fértil para crescer. Ao longo desta semana, formadores e formandos caminharam lado a lado, semearam encontros e cultivaram escutas. E, entre vozes e corpos, viram nascer e florescer música, emoções e vida, deixando em evidência as “infinitas possibilidades” que habitam o ato de criar em conjunto.

Diz-se que “águas paradas não movem moinhos”, e foi precisamente esse movimento de encontro e partilha que marcou esta Formação Imersiva da Companhia de Música Teatral, em parceria com o Grupo de Educação e Desenvolvimento Humano (GEDH), do Centro de Estudos em Música (CESEM). Esta formação contou com 30 participantes: 18 formandos e 12 artistas / educadores da CMT, oriundos de diferentes áreas e caminhos. Estiveram presentes 12 professores, 8 artistas ligados à música, ao teatro, à dança e a outras áreas de criação, 3 educadores de infância, assim como, animadores socioculturais, investigadores e profissionais da musicoterapia, psicologia, mediação cultural e intervenção terapêutica. Entre os diferentes percursos académicos, é importante destacar a ligação de vários estudantes com a NOVA FCSH, em particular ao Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico e à Pós-Graduação em Música na Infância: Intervenção e Investigação, reforçando a ligação entre formação académica e prática artística e permitindo consolidar competências fundamentais para o desenvolvimento profissional nas áreas da educação musical e da primeira infância. Encontraram-se ainda representadas instituições como as universidades de Évora, Minho e Aveiro, a Universidade Lusíada, a Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto e a Academia Nacional Superior de Orquestra, bem como diversas instituições internacionais.

Do encontro entre estes percursos nasceu um grupo plural, onde diferentes experiências e formas de olhar se cruzaram e se reuniram numa teia viva de conhecimentos e vontades, trazendo à semana novas cores e novos sabores.

 

Matilde Pimentel,
participante do i.Lab #2026, mestre em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico pela NOVA FCSH e estagiária da Companhia de Música Teatral ao abrigo do IEFP.

 

Vídeo reel da CMT (Instagram)
Reportagem do Cineteatro Louletano (Instagram)

 

Palavras dos participantes

Loulé é abraço e colo. É pertença. É vulnerabilidade. É força. É humano. É partilha. É significado. É mergulhar num mundo que parece mais real do que a própria realidade. E talvez seja isso que custa tanto quando saímos de Loulé: não sentimos que voltamos à realidade. Sentimos que saímos dela.Loulé são pessoas. É poder ser genuína, inteira. É um espaço seguro para o corpo, para a mente, para a Voz. Um lugar onde se é e onde se sente. Um lugar de permissão e de liberdade. É brincar. É estar verdadeiramente presente.
Loulé é real. Quero congelar o tempo. Quero voltar a Loulé. Quero voltar àquele lugar onde, por uns dias, a vida pareceu exatamente aquilo que devia ser.

Raquel Fernandes

 

Me emocionei com a potência inventiva, criativa e afetiva do Lab Imersivo, em Loulé. Percebo que criamos um espaço de pertencimento em um universo tão rico de possibilidades! Uma verdadeira utopia, onde cada pessoa pôde ser si mesma e, ainda, brincar de se transformar em muitas outras coisas: seres, sons e poemas.
Ao final, desejei imensamente que a nossa experiência ali se prolongasse para além dos seis dias de convivência, na proximidade estética com cada formador e cada participante, em nossas improvisações, gestos, vozes, sons, olhares…
Uma semana encantadora, que certamente revisitarei muitas vezes na memória, podendo, assim, nutrir com entusiasmo e imaginação a minha prática artística, pedagógica e humana.

Talita Vinagre

 

António Maria Dente
Talita Vinagre (texto completo)