O Peça a Peça Itinerante (PaPI) no Município de Vila Nova de Famalicão
A constelação artístico-educativa PaPI agrega um conjunto de pequenas peças músico-teatrais concebidas de raiz para poderem circular facilmente por jardins de infância, museus, bibliotecas, centros sociais e outras instituições interessadas em promover o acesso à cultura. Os primeiros PaPIs foram gerados em residências artísticas multidisciplinares e intergeracionais realizadas na Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito do projeto Opus Tutti (2011-2014).
O Município de Vila Nova Famalicão associou-se, desde o início, a esta prática artístico-educativa e, desde então, vários jardins de infância da sua “envolvente” têm podido usufruir deste contributo inovador no nosso país.
Em 2025, neste “berço onde crescem PaPIs”, estreámos mais uma criação artística deste ciclo itinerante dedicado à música para a infância.
PaPI Opus 11 foi levar e buscar inspiração aos Jardins de Infância de Bairro, Oliveira de Santa Maria, Bente, Ruivães e Riba d’Ave.
Depois, estreou na Casa das Artes a 8 de Novembro.
A Mariana Miguel, a nossa artista-interatora-mediadaora-facilitadora foi colecionando sorrisos e abraços.
Na mochila onde transporta o cenário portátil, há um cantinho onde arruma frases como “gostei muito do pestáculo!”, perguntas como “as coisas foram feitas num museu”? “que instrumento é esse?” e “cartinhas” como esta de duas educadoras: “Queremos agradecer pelo maravilhoso espetáculo com que fomos presenteados. Foi realmente encantador, e as nossas crianças adoraram cada momento.Parabéns à Mariana pela sua expressividade e pela excelente interação com as crianças — fez toda a diferença!”
Em Fevereiro de 2026 voltamos à “Casa” e a outros Jardins de Infância da envolvente.
PaPI Opus 11 — Sinopse
Por conseguinte. Orelha, espiral, caracol, desenrola a palavra, o mapa não é o território, a palavra não é a coisa.
Reformulando: PaPI-Opus 11 integra-se no ciclo Peça a Peça Itinerante (PaPI) — peças músico-teatrais concebidas para circular por jardins de infância e instituições culturais e educativas interessadas em promover o acesso à cultura. Uma ideia nascida no berço de Opus Tutti, com o apoio da FCG, que continua a crescer no berço da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.
“— Já tá !”

PaPI Opus 11 — Em criação.
Para chegar a PaPI Opus 11 é preciso perguntar os nomes de quem chega. Também é preciso lembrar os nomes de quem não está. Pode ser preciso uma máquina de escrever. Só as máquinas de escrever têm memória.
De qualquer modo, uma máquina que tenha ritmo no corpo também é capaz de recordar. Por exemplo, uma bateria. Ou uma sanfona. Ou um pincel.
Qualquer coisa que tenha nuvens na ponta.
Como, por exemplo, um auscultador de sonhos.
Ou um coador de flores.
Também pode dar jeito uma espiral.
Qualquer círculo convexo, complexo, de preferência sem nexo.
Bambus? Sim, o bam é bom. bamBom bamBom bambamBom bambamBom. Bamboa boa, boaboa voa. Lupa.
Especificamente:
Baloiça na letra B: bebé, beijar, boca, bocábulos, bolachas, bola, Berlim, borbulha, borboleta, barbatana, baliza, alisa, Elisa.
À semelhança da espiral a esfinge dorme ou finge que está parada na letra B de CaraCaraCol. A call. E o CaroCaraCol encontrou o peixe amarelo-verde-vermelho- tingido de negro do aquário do Senhor Helder e do Senhor Andrade e do Senhor Braga e da avó Ernestina. Sim, desde o Senhor de Neandertal que se sabe que qualquer sorvedor de colcheias pode ser dono de uma mercearia de palavras.
E por aí fora…
Ou, dito de outro modo: os caminhos da criatividade são infinitos. A possibilidade é uma espiral.
Por isso é necessário desenrolar tecidos. Enrolar e desenrolar, desenrolar e enrolar. Peregrinar.
Por isso são precisos lugares onde se possa repousar, casas e pessoas de “hospitalidade”.
— Mamã tanto trabalho para fazer este tapete de flores tão bonito e passado dez minutos já está destruído? — Pois é, meu filho, é um bocadinho triste, mas não te preocupes que as máquinas de escrever têm memória.
PaPI Opus 11 — As residências artísticas
Cine-Teatro Louletano
Conservatório de Música de Loulé — Francisco Rosado
Universidade NOVA de Lisboa — FCSH –CESEM– GEDH- Laboratório de Música e Comunicação na Infância — Laboratório de Experimentação Cenográfica
Oficina da Criança — Montemor-o-Novo
Alma d’Arame — Teatro de Marionetas — Montemor-o-Novo
PaPI Opus 11 — A equipa
Mariana Miguel. Exerce a sua atividade profissional como pianista, percussionista e artista multidisciplinar. Tem participado em criações e projetos da CMT envolvendo a comunidade.
Helena Rodrigues. Membro fundador da CMT e professora na NOVA–FCSH. Tem acompanhado o ciclo Peça a Peça Itinerante (PaPI) desde a sua origem.
Rita Roberto. Leciona na PG Música na Infância: Intervenção e Investigação da NOVA–FCSH e na ESE do IPS. Intérprete, criadora e formadora em vários projetos da CMT.
PaPI Opus 11 — Agradecimentos
Aos participantes em i.lab — Formação Imersiva Arte Para a Infância realizado no Solar da Música Nova em Loulé em 2025.
Ao projeto Artistic Beginnings in Co-Creation (ERASMUS+).
PaPI Opus 11 — Co-produção
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão
Apresentações no Município de Vila Nova de Famalicão (3-8 novembro 2025)
Jardins de Infância da envolvente do Município de Vila Nova de Famalicão; Jardim de Infância de Bairro; Jardim de Infância de Oliveira Santa Maria; Jardim de Infância de Bente; Jardim de Infância de Ruivães; EB/JI de Riba de Ave
Teatro Narciso Ferreira;
Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão