A Cartografia Sonora Imaginária do Silvestre 26 foi um desafio particularmente interessante. Envolveu simultaneamente o reencontro e o ter que pensar de forma muito diferente. Reencontrámos pessoas com quem construímos caminhos que nos levaram a lugares que não poderíamos ter imaginado sozinhos e reencontrámos, também, a voz da Terra, que tantas vezes nos tem sussurrado por onde devemos caminhar. O Silvestre, Encontros de Dança e Artes Performativas é uma proposta que “reúne performances, oficinas, caminhadas, filmes e conversas que aprofundam a relação entre corpo, território e consciência ecológica. Entre práticas de incorporação do entorno, danças ancestrais, escuta, contemplação e partilha, o festival propõe um ritual contemporâneo de co-presença na floresta, ou a partir dela, afirmando o espaço natural como lugar de encontro, criação e regeneração. Concentrado no Centro de Interpretação de Monsamto e na sua floresta envolvente, o Silvestre convida a abrandar, caminhar, dançar, alimentar e pensar em comum, convocando uma experiência artística e sensível de relação com a vida mais-que-humana”. Fazer uma Cartografia Sonora Imaginária no meio das árvores, da caruma, dos pássaros e com o zumbido da cidade no fundo começou por parecer uma ideia louca ou, pelo menos, difícil de concretizar. Mas não foi. Foi “orgânico”, profundo e estimulante. Uma verdadeira experiência de “afinação de pessoas, pássaros e flores”.
Fotos: Miguel Afonso/Ordem do O, no âmbito do Silvestre 26