Em Outubro a Cartografia Sonora Imaginária (CSI) viajará até Praga, onde integrará o Festival of Arts Literature and Learning. Será um dos eventos de abertura da exposição do DOX Argus & Medusa: On Hope in Dark Times, que mostrará re-interpretações contemporâneas do icónico quadro A Jangada de Medusa de Théodore Géricault’s. A CSI de Praga procurará fazer reverberar o apelo para a esperança, compaixão e humanidade que emana do quadro, de toda a exposição e restante programação do festival FALL.
O quadro de Géricault é uma obra de onde emana uma densa e complexa teia de sons imaginários e é possível que essa “musicalidade” esteja na base do interesse que muitos artistas manifestaram ao longo do tempo. Em Praga, a CSI entrará em diálogo com outros sons e imagens que refletem simultaneamente a escuridão do nosso tempo mas, sobretudo, a esperança que Géricault captou na sua pintura- a mesma esperança que Václav Havel via como um “estado de espírito”, uma paisagem imaginária que transcende a experiência imediata do mundo real. Talvez a mesma esperança que levou Saramago a imaginar a sua própria Jangada de Pedra uma “massa de pedra e terra, coberta de cidades, aldeias, rios, bosques, fábricas, matos bravios, campos cultivados, com a sua gente e os seus animais”, que separou a Península Ibérica do resto do continente Europeu e a transformou “numa grande ilha flutuante, movendo-se sem remos, nem velas, nem hélices em direção ao Sul do mundo”, uma visão utópica, afirmação poético-política de que a “Europa, toda ela, deverá deslocar-se para o Sul, a fim de, em desconto dos seus abusos colonialistas antigos e modernos, ajudar a equilibrar o mundo. Isto é, Europa finalmente como ética.”